NÃO!
Guilherme...
Uma voz ao longe. Havia uma luz, uma luz incomum. Sobre a pele ele sentiu algo morno e leve, o calor da vida, o calor do sol. Sim, havia sol. Mas ele continuava de olhos fechados. E se ele sentisse frio quando abrisse os olhos? Brisa. E a voz.
Guilherme.
Minhas costas estão sobre algo macio, tenho certeza. Tenho medo, não quero abrir os olhos. Essas falsas sensações, não quero ver, não quero, é um truque, é... um canto. Sim! Há um passarinho por aqui. E essa voz. Só pode ser ela, Lilly. O que ela está fazendo comigo? E esse calor, ele está queimando meu rosto, eu não quero acordar, eu não quero, eu não...
- Guilherme!
A pupila encontrou o raio de sol vindo da janela aberta. Com uma explosão de claridade, a mão logo foi em direção ao rosto, para cobrir os olhos já tão acostumados com a escuridão. A mão deslizou sobre um lençol branco, e depois sobre um corpo são. Ele estava vivo. Podia sentir o ar puro entrando pelos pulmões, o calor devolvendo-lhe cada partícula de esperança que fora perdida. Uma sensação estranha ao mover a cabeça para o lado, uma sensação estranha ao ver a mãe aos pés da cama, chamando por ele.
- Sono pesado hein?
- Mãe?...
- Oi? - Sara riu com a expressão atordoada do filho. - Enfim, bom dia. Estava sonhando com o que?
- Eu... Eu tava... O quê?!
- Estava gritando, eu vim te acordar. Que susto meu filho, parecia que iam matar você.
Guilherme olhava cada detalhe do seu quarto, cada coisa antes sem importância parecia agora tão... incrível. Sara estava ali, viva, bonita, sorridente, incrédula. Ele estendeu a mão e tocou-a.
- Mãe! Você está viva! É real! Meu Deus, eu posso tocar em você!
- Do que você está falando Guilherme? - ela mirou-o com atenção, até Guilherme pular da cama e se jogar nos braços dela.
- Eu te amo.
- O quê?!
- Eu te amo, mãe. E você é tudo, tudo pra mim.
- Mas o que aconteceu com você? Ontem você estava gritando e agora... deixa pra lá. Eu te amo, meu filho. - falou, com a voz embargada.
- Mas o que está acontecendo aqui?
Carlos entrou no quarto, enquanto Daniel vinha correndo atrás, rindo e agarrando-se nas calças do pai.
- Eu pensei ter ouvido alguém...
- Pai! Ah pai!
Guilherme pulou da cama e abraçou Carlos com força. Olhou para o pequeno irmão, levantou-o no colo, exibindo um sorriso radiante.
- Vocês não sabem o quanto eu senti saudade de vocês! Eu te amo pirralho, pode brincar com o Sr. Joe sempre que quiser, e pai, ah pai! Você é meu herói!
- O que aconteceu com ele? - Carlos olhou atordoado para a esposa.
- Eu não sei! - ela respondeu, rindo.
Daniel pegou a mão do pai, e puxou-o para perto de Sara. Com um sorriso maroto no rosto, abraçou os pais, e olhou para o irmão, como se dissesse "agora é com você". Guilherme olhou por um tempo as três pessoas mais importantes da sua vida, antes de dizer:
- Ainda estão brigados?
Carlos e Sara trocaram olhares constrangidos, até Carlos tomar iniciativa, segurando a mão da esposa e olhando-a nos olhos.
- Não, porque eu a amo.
Sara sorriu, vencida, e abraçou o marido. Guilherme riu, explodindo de felicidade. Estava em casa, estava livre. Tudo e todos estavam bem, embora ainda faltassem muitas explicações.
- Então, quanto tempo eu estive fora?
- Quanto tempo? Alguns minutos apenas. Você saiu de casa ontem à tarde depois de todos aqueles seu gritos, e logo eu vim aqui e você já estava dormindo. - ela olhou fixamente para o filho. - Guilherme, você está bem? Parece até que perdeu a memória!
- Eu saí apenas alguns minutos?! E quanto tempo eu dormi?
- A noite toda. Você está estranho. Brigou com a Juliana?
- Juliana?!
- Sim, vi vocês conversando ali na rua, logo que você saiu.
- Juliana?! Meus Deus, Juliana! Ela está bem?
- O que...? Guilherme!
O garoto já estava de pé, sentindo o coração bater com força. Carlos, Sara e Daniel, olhavam-no, perplexos, enquanto ele ia e vinha pelo quarto, o nervosismo correndo pelas veias.
- Eu... Bom, eu preciso, é, é eu preciso ver ela, sabe como é, eu am... quer dizer, ela é minha amiga, eu espero que... Bom, esquece. Eu... eu preciso ir. Até mais, eu... eu amo vocês.
Sob os olhares risonhos da família, Guilherme saiu de casa, a respiração acelerada, e expressão numa mistura de felicidade e pânico.
Precisava vê-la. Juliana. Só ela era capaz de deixá-lo daquele jeito. Tão... apaixonado.
Um comentário:
*-*
ounnnn....amei
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