E tudo começou quando, na frente da tv, eu vi meu pai e meu avô gritando loucamente. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas pelas lágrimas nos olhos deles e pelo modo como sorriam e pulavam, devia ser algo bom. E era.
Eles vestiam azul, preto e branco. Eu, como não tinha camiseta, pintei o rosto, as unhas, e a alma de azul, e ali iniciava uma grande paixão.
Uma criança que trocou todos os papos femininos para ir para a outra sala ver futebol com os homens. Sentar ao lado do pai e opinar coisas sem fundamento, até aprender o que era um "pênalti". Gritar palavrões para o juiz sem saber porque, mas se o pai estava fazendo aquilo, então era certo. Passando o mate de mão em mão, prestando atenção nos comentários do pai. O Grêmio ganhava, ele me via sorrindo, me dava um abraço e dizia: "tu vais virar uma baita fanática!".
Nunca esqueci daquela final de libertadores contra os argentinos, quando fui dormir chorando e não queria conversa com ninguém. Meu pai me viu no meio dos cobertores soluçando, me chamou de fanática e quase chorou junto. No dia seguinte lá estava eu, indo com a cara inchada pra escola e a ponto de chamar no soco quem falasse mal do meu time.
Eu fazia cartazes apaixonados sobre o Grêmio para grudar no mural da sala de aula. Dormia com os fones de ouvido só pra escutar o jogo. Via a avalanche descer na tv e quase podia ouvir meu peito batucando de orgulho. E eu queria estar lá. Cresci, e todas as férias era a mesma ladainha: eu queria que me levassem para o Olímpico, ver o meu time jogar em casa. Mas pense só na dificuldade que uma pequena torcedora de Frederico Westphalen enfrenta para se deslocar até Porto Alegre. É, não é fácil, dizia meu pai. Ele dizia que era uma loucura, mas que se eu quisesse estar no meio da loucura, ele me levaria.
Aham, espera sentada, guria. Meu vô disse o mesmo e fiquei eu esperando pelas promessas dos dois. Até entendia que ficava complicado, mas poxa, que gremista de valor nunca foi ao Olímpico? Pois bem, eu.
E dá pra crer que agora, com 18 anos no lombo e depois de muito resmungar a respeito, isso vai acontecer? É de se dar pena, ainda mais levando em conta que não vai ser graças a nenhum dos dois bonitos que me fizeram as promessas. Mas agradeço a ambos pela paixão que guardo hoje pelo meu time.
Estou indo para Porto Alegre. Vou ver o Grêmio jogar em casa. Vou ver aquele mar tricolor. Vou ver todo mundo gritando, a gurizada descendo aquela avalanche linda, e eu vou estar lá no meio, tchê! Depois de tanto tempo, eu vou estar lá. E vou sorrir meu sorriso mais bonito. Ah, se vou.

Um comentário:
Maria. Gostei muito deste post, especialmente por você estar falando de forma mais aberta.
O jogo... será que já houve? De qualquer forma, desejo que seu time lhe dê o prazer da vitória. Mas acho que de uma forma ou de outra, o sorriso aparecerá por estar realizando um sonho. É, eles se tornam realidade. Há quem discorde, mas eu acredito nisso. Não sou nenhum torcedor fanático. Se tiver que torcer é Grêmio ou Flamengo.Hehehe... Falando em sonhos, meu sonho é ter uma Nikon D5100. Ah!, como sonho com isto. Segundo promessas (hahaha), ela está há uns 6 meses de mim. Espero que sim.
...Concordo. A vida é uma montanha russa.
Sobre Ele, eu sempre rezo daquele jeito, como você disse que se identificou. Acho muito mais "justo" e penso que as orações prontas não são capazes de me satisfazer. Acredito que a oração deve ser algo espontâneo, não?
Que pena que está em greve na faculdade :( Não gosto delas, claro. Elas não seriam necessárias se as coisas fluíssem bem.
Como foi para você escolher o que cursar? Me vejo cada vez mais confuso, embora tenha mais de 3 anos pela frente até que chegue a hora "h".
Tenho me identificado bastante com psicologia, que vejo como uma profissão do "futuro", como diz uma amiga minha que faz psicologia. Mas acho que eu não gostaria de ter isso pra minha vida.
Adoro jornalismo e, em especial, fotojornalismo. Acho que os jornalistas são muito desvalorizados. Medicina... não aprecio muito. Descubro uma coisa enquanto escrevo: prefiro as profissões que envolvam a arte no meio. Como não vi isso antes?
Bem, tenho que encerrar nossa conversa. Infelizmente hoje ela foi breve. Mas assim é a vida.
Um beijo, Maria. E boa viajem!
Até mais!
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