Olhando para o teto. Olhando para a cortina que balança com o vento que vem de fora. Olhando os próprios pés.
Os lençóis se emaranham entre as pernas, sua suavidade incomoda a tal ponto que é preciso rolar sobre o colchão, de um lado a outro, mas nada funciona. Se os lençóis incomodam, o arrepio que vem do frio é ainda pior. Fico batendo os dentes, mas não é raiva, ou o frio, ou arrepio na pele; eu fico seguindo o ritmo de uma música. Eu sou baterista, meus dentes são a bateria.
O sono não vem, a barriga ronca. Não sei se é fome, ou milhares de borboletas voando ali dentro, e os pensamentos continuam fluindo, um após o outro, e eles têm trilha sonora. Às vezes eles se tornam tão altos que tenho medo que outros ouçam, como um sonho tão real que faz você acordar falando consigo mesmo. Meus olhos estão tão abertos, grandes bolas de gude brilhantes, acompanhando qualquer diferença no ar ou na escuridão. E então começa a chover. Aproveito o tempo nublado e a impaciência que meu corpo demonstra, e pego o violão.
Canto como se estivesse em um grande teatro vazio, minha voz ecoando na tão amada solidão, e minha plateia é a chuva. Quando eu me calo, a chuva me aplaude.
Nenhum comentário:
Postar um comentário